Oitavo Rei de Roma

O então técnico sueco Liedholm (falecido aos 85 anos em 2007) perguntou ao brasileiro Dino Sani, que tinha jogado com ele no Milan, qual seria um jogador brasileiro que ele poderia contratar para a Roma, time que ele treinava. Sem pensar duas vezes, Dino Sani respondeu que seria Falcão, do Internacional, time brasileiro vice-campeão da Taça Libertadores de 1980.

O volante brasileiro Falcão (na foto a esquerda: trivela.com.br) é reverenciado até hoje como um dos maiores ídolos estrangeiros da história da Roma da Itália

Quatro dias após a derrota para o Nacional do Uruguai na final da Libertadores, Falcão chegava à Itália para ser um dos primeiros brasileiros a jogar no país após o Campeonato Italiano voltar a receber estrangeiros, o que não acontecia desde o começo dos anos 70. Quando o volante brasileiro chegou, a Roma não conquistava o campeonato nacional desde a temporada 1941/42, quando superou o Torino por três pontos, com uma vitória (na época a vitória valia dois pontos) e um empate.

Na temporada 1980/81, primeira do jogador brasileiro na Itália, a Roma foi campeã da Copa Itália ao vencer o Torino nos pênaltis e Falcão marcou a penalidade decisiva, ainda que ele não gostasse muito de fazer esse tipo de cobrança. Na temporada 81/82, a Roma não teve um bom ano e Falcão também não teve uma boa atuação, e foi neste período que chegaram o meio-campista Chierico e o zagueiro Nela, que seriam importantes para a conquista do scudetto na temporada seguinte.

Com a conquista do scudetto na temporada 82/83, o time da capital italiana quebrou o longo jejum de conquistas nacionais e ainda ajudou a consagrar Falcão, que recebeu o simbólico apelido de oitavo Rei de Roma Na temporada seguinte, 83/84, a Roma chegaria à final da então Copa dos Campeões, mas seria derrotada em casa pelo Liverpool nos pênaltis, uma das derrotas mais marcantes da carreira dele, nas palavras do próprio Falcão, com o mesmo peso da final da Taça Libertadores de 80, quando o Internacional foi vice-campeão ao ser derrotado pelo Nacional do Uruguai, e principalmente da já conhecida eliminação do Brasil diante da Itália, na Copa do Mundo de 82, que ficou conhecida como a ‘Tragédia do Sarrià’.

Quais as suas lembranças da passagem de Falcão pela Roma?

3 comentários em “Oitavo Rei de Roma

  1. Muito bom este resgate que você fez, Deda. Quando pensamos em Falcão vem à mente a elegância a serviço do futebol. Não vi Ademir da Guia jogar, mas acho que eram estilos parecidos. Só acho que em alguns momentos faltava aquela ‘gana’ de ganhar, de fazer gol de canela, sabe? Mas futebol não é só ser campeão, né? Basta lembrar da sempre admirada seleção de 1982.

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  2. Oi, eu só lembro que o Falcão jogava futsal e que foi jogar em um time italiano que durante muito tempo não contratava estrangeiros. Era o Roma? Lembro de ter assistido, quando criança, uma propaganda de futebol no cinema, antes de começar o filme dos Trapalhões. Na propaganda passado o Falcão correndo e fazendo gol com a camisa da seleção brasileira. Abraços da Andrea

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  3. Lembro que eu era uma criança traumatizada pela derrota do Brasil na copa de 82 quando, na mesma época, vi Falcão, Zico, Cerezo e outros jogadores que tinham vestido a camisa da seleção irem jogar em clubes da Itália. Isso foi chocante pra mim. Como era possível??!?! Uma traição! Hoje eu vejo que futebol é isso aí: grana. E ainda misturado com racismo, machismo e outras bizarrices, infelizmente.

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