Do céu ao inferno em 90 minutos

O técnico português Abel Ferreira, do Palmeiras, costuma dizer que quando se ganha não está tudo certo e também quando se perde não está tudo tão errado assim. De uma forma bastante apressada, logo após a derrota nos pênaltis diante do Uruguai na Copa América, disputada nos Estados Unidos, vários jornalistas esportivos brasileiros, entre eles Fábio Sormani, classificaram a geração de jogadores atual como “a pior da história”.

O goleiro uruguaio Rochet (foto: msn.com) defende a cobrança de pênalti do zagueiro brasileiro Éder Militão na Copa América

Depois de empatar em 0 a 0, a disputa da vaga nas semifinais foi decidida nos pênaltis e o Uruguai eliminou o Brasil ao vencer a disputa por 4 a 2. Como normalmente acontece, os jornalistas esportivos brasileiros elegeram o zagueiro Éder Militão (que teve a cobrança defendida por Rochet, ao chutar em cima do goleiro uruguaio) e o volante Douglas Luiz (que chutou no cantinho da trave defendida pelo goleiro uruguaio), que erraram as cobranças, como os ‘vilões’ da eliminação brasileira.

O goleiro Alisson poderia ser apontado como o ‘herói’, por ter defendido a cobrança de Giménez, mas isso não foi suficiente para evitar a eliminação da Seleção Brasileira do torneio continental. Depois de vencer o Brasil, o Uruguai foi eliminado pela Colômbia, que venceu o jogo por 1 a 0, com o gol marcado pelo volante Lerma.

Na outra semifinal, a Argentina venceu o surpreendente Canadá por 2 a 0, com os gols marcados por Messi e Julián Álvarez. Com isso, Canadá e Uruguai decidem o 3o lugar em Charlotte, no dia 13 de julho enquanto que Argentina e Colômbia disputam o título do torneio em Miami, no dia seguinte.

Quais as principais lições que a Seleção Brasileira pode tirar da derrota para o Uruguai na sua opinião?

Tempero estrangeiro

O fato do técnico português Jorge Jesus (que atualmente comanda o Al Hilal da Arábia Saudita desde 2023) ter vencido o Campeonato Brasileiro e a Taça Libertadores em 2019 trouxe para a discussão a vinda dos técnicos estrangeiros para o Brasil. Logo depois dele, o time rubro-negro resolveu apostar no espanhol Domènec Torrent (que hoje comanda o Atlético San Luís, do México, depois de passar pelo Flamengo e o Galatasaray da Turquia), que não obteve bons resultados, e depois o rubro-negro carioca passou a ser dirigido por Rogério Ceni, que até foi campeão brasileiro em 2020 e carioca no ano seguinte, apesar de ser bastante criticado pelos torcedores rubro-negros.

O técnico português Jorge Jesus (foto: esporte.r7.com) foi campeão do Campeonato Brasileiro e da Taça Libertadores ao dirigir o Flamengo em 2019

Depois de passar pelo rubro-negro carioca, Rogério Ceni retornou ao São Paulo, onde ficou entre 2021 e o ano passado, até assumir o comando do Bahia neste ano. Rival do Flamengo, o Vasco também embarcou na onda dos técnicos estrangeiros e teve o português Sá Pinto e depois de algum tempo o argentino Ramón Díaz, até voltar a ser comandado recentemente por outro técnico português, que é Álvaro Pacheco, mais um a deixar o comando do time cruzmaltino, que atualmente está sem técnico.

O Internacional também tem um técnico estrangeiro, o argentino Eduardo Coudet, que também passou recentemente pelo Celta de Vigo, da Espanha, e o Atlético Mineiro. Por sinal, o Galo mineiro teve o argentino Jorge Sampaoli em anos recentes (que atualmente está sem clube) e hoje é comandado por mais um argentino, o ex-zagueiro Gabriel Milito, que veio do Argentinos Juniors, da Argentina.

No futebol paulista, o Palmeiras continua sob o comando do português Abel Ferreira, enquanto que o rival Corinthians foi treinado por Vitor Pereira, que também passou pelo Flamengo e hoje dirige o Al Shabab, da Arábia Saudita. O São Paulo atualmente é comandado pelo argentino Luís Zubeldía, mas em 2021 também foi dirigido por um curto período pelo argentino Crespo, que até foi campeão paulista em 2021, mas não resistiu aos maus resultados e depois passou pelo Al Duhail, do Qatar, até ser contratado pelo Al Ain, dos Emirados Árabes, no ano passado, que é o time que ele comanda atualmente.

Quais as contribuições que os técnicos estrangeiros podem trazer para o futebol brasileiro na sua opinião?